A cidade de Aveiro acolheu nos dias 31 de Janeiro e 1 e 2 de Fevereiro o XIV Congresso da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE). Sob o lema «+Freguesia, melhor futuro», esta iniciativa contou com a participação de 850 delegados e cerca de 200 observadores, em representação das juntas e assembleias das freguesias, que analisaram a actividade desenvolvida pela ANAFRE no mandato que se encerrou e debateram os impactos da reorganização administrativa territorial no futuro das freguesias e na vida das populações.
No XIV Congresso legitimou-se ainda os órgãos sociais da ANAFRE a prosseguir o seu trabalho e aprovou-se uma moção estratégica, onde se fixa as linhas de orientação para o mandato de 2013/2017, que passam, entre muitas outras, pela revogação das leis n.º 73 e 75 de 2013, pela publicação de uma nova Lei das Finanças Locais e pela a reposição dos valores dos FFF (Fundo de Financiamento das Freguesias).
No entanto, o tema que marcou o Congresso foi mesmo a extinção de freguesias. Em Aveiro voltou-se a exigir do Governo e da Assembleia da República iniciativas legislativas no sentido de «devolver» as freguesias liquidadas, conforme a vontade das populações. «A agregação/extinção de centenas de freguesias, concretizada pela lei n.º 11-A/2013, insere-se num objectivo – mais abrangente – de liquidação do Poder Local democrático, conquista do 25 de Abril consagrada na Constituição da República Portuguesa», lê-se numa das 12 moções aprovadas.
O último dia ficou ainda marcado pelos protesto dos autarcas que vaiaram o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, que se preparava para intervir no final do Congresso. Episódio semelhante aconteceu na sexta-feira, por ocasião do discurso do secretário de Estado da Administração Local, Leitão Amaro, quando se pronunciava sobre a Lei das Finanças Locais. Na sala chegou-se ouvir gritar «mentiroso» quando o governante se referiu ao «espírito de diálogo» do Governo com as freguesias.